GTA: Liberty City Stories surgiu como um projeto menor da Rockstar, cujo objetivo era desenvolver um episódio da saga para o PSP da Sony. Resumindo: criar um jogo que não tivesse um grande custo de produção mas que fosse algo novo, não uma simples conversão. Assim surgiu Liberty City Stories, espécie de seqüência/expansão de um dos episódios de maior êxito da franquia: GTA III. De fato, trata-se de uma antecipação, já que se passa quatro anos antes dos acontecimentos da odisséia criminosa do personagem sem nome que protagonizava o terceiro episódio da série. Logicamente, nos encontraremos com velhos conhecidos e com muitas ruas e áreas de Liberty City recicladas, ainda que com leves diferenciais, além de novas zonas destinadas a trazer um sopro de ar fresco em nossas andanças. O herói desta ocasião aparecia previamente em GTA III. Um mafioso italiano chamado Toni Cipriani que alternava o crime com a gerência de um negócio tão respeitável como o restaurante que mantinha com a mãe. Não há dúvida de que Cipriani é um tipo carismático que possui background suficiente para convertê-lo em uma opção interessante. Além disso, seu vínculo com a família dos Leones, os donos de Liberty City inclusive sua tumultuada relação com a esposa do capo, Maria, que também se apaixonava pelo herói de GTA III o tornam merecedor de um jogo próprio. De novo, seguindo a tradição dos GTA, o argumento gira em torno da figura de um superdelinqüente apto a qualquer missão, de suas relações com as organizações que lutam entre si pelo controle da cidade, e de seu longo e perigoso caminho até o olimpo da marginalidade. Levar um jogo do PSP para o PS2 supõe que o resultado final será visualmente humilde, apesar das melhorias gráficas da conversão que podem ser vistas em um ou outro efeito vistoso, como o dos reflexos do cenário nas latarias dos veículos e uma maior quantidade de cidadãos perambulando pelas ruas. De qualquer maneira, é empregar as características de um motor muito simples. Visualmente, não será um rival digno de San Andréas, e Liberty City não supera e nem se iguala à aventura de CJ em nenhum aspecto, tanto tecnológico como sonoro ou em nível de jogabilidade. Não encontraremos uma trilha sonora de filme, com temas clássicos de grupos famosos, nem missões tão extensas e elaboradas. Tampouco teremos tantas armas e veículos em nosso catálogo, e nosso personagem não terá os parâmetros de evolução comuns de San Andréas. Uma noiva com a qual fazer um hot coffee se a ocasião merecer? Esqueça... Para compensar, encontraremos algumas melhoras em relação a GTA III que parecem extraídas de Vice City. Poderemos mudar nossa vestimenta, sem chegar a trocar distintas peças de roupa. Também queimaremos asfalto sobre motocicletas e, de vez em quando, lutaremos mano a mano com mafiosos da família dos Leone, mas despeça-se das bandas presentes em San Andréas: não há comparação. Até a cidade nos parecerá estranhamente pequena, acostumados que estamos às enormes urbes de Vice City e San Andréas. Suas texturas resultam bastante pobres, assim como a poligonização de edifícios e objetos. Deve ficar claro: ainda que seja um grande título, se poderia dizer que a Rockstar desenvolveu um mod de GTA III, sem mais pretensões do que oferecer mais do mesmo a um coletivo de usuários que não esperava a oportunidade de ter um Grand Theft Auto em seu console. No final das contas, se LCS terminou aparecendo no PS2, foi a pedido dos fãs. A companhia nunca cogitou essa possibilidade. Assim, não podemos ser muito duros em nossa crítica.



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