

Crysis: revolucionou, de todo, os jogos de acção!Depois de muito tempo de espera, de alguns adiamentos pelo meio e de anúncios estranhos que davam como certa a sua chegada à Xbox 360 e PS3, eis que Crysis chega apenas aos PC’s, e em grande, mas grande estilo!A Crytek, depois de ter recebido aplausos pelo seu primeiro jogo de acção na primeira pessoa, Far Cry, meteu mãos ao trabalho em Crysis e prometeu que este iria revolucionar os videojogos do género FPS. Que surpresas terão preparado para os jogadores?O primeiro facto constatado é o tamanho que a instalação do jogo ocupa, sendo cerca de 6 Gb. Mas esse será o menor de todos os problemas, visto que, hoje em dia, 6 Gb arranjam-se com uma perna às costas. Os verdadeiros “problemas” ficam por falar mais lá para a frente.Como sabem, Crysis passa-se no ano de 2019, e a acção situa-se apenas numa ilha da Coreia do Norte onde foi detectada a queda de um meteorito. Com este fenómeno a ser seguido pelos Estados Unidos da América e pela Coreia do Norte, ambos enviam exércitos ao local para verificar o que afinal lá caiu. O caos instala-se, pois nenhum dos países se dá bem e querem ambos apanhar aquele estranho objecto. É aqui que entra a nossa personagem, a quem os nossos colegas de combate chamam de Nomad. Este Nomad é um soldado das forças especiais dos EUA que utiliza um fato nanotecnológico que fornece maior força, rapidez e ainda funciona como escudo e também possui uma opção de invisibilidade. Esta opção pode ser acedida a qualquer momento do jogo carregando no scroll central do rato. Além destas opções, ainda é possível aceder à configuração, em tempo real, da nossa arma para lhe fazer um upgrade. Essa modificação pode passar por adicionar vários objectos, como uma lanterna, um apontador laser, uma lente de maior precisão, um adaptador para lançar granadas, entre muitos outros. Como disse, este Nano Suite é capaz de grandes proezas e é considerado um alto avanço tecnológico dentro da própria história do jogo. Não se admirem de ouvir camaradas dizer que gostavam de ter um (fato) daqueles. Voltando à questão dos fatos, cada uma daquelas capacidades só pode ser usada uma de cada vez e com tempo limite, o que obriga a uma gerência de recursos, e a uma decisão antes de atacar o inimigo.Este super fato também possui uma inteligência artificial própria que avisa quando a energia está no mínimo ou que função se está a utilizar.Tal como fiz com a análise ao Halo 3, não vou contar grandes pormenores em relação à história, isto porque a própria Crytek quis guardar tudo até ao final a fim de ser uma surpresa para cada jogador. A duração do jogo estende-se até, mais ou menos, 15 horas, onde muita coisa inesperada vai acontecer, e nisso podem acreditar! Apesar do argumento não ser de todo original, pois leva vários elementos de Far Cry misturado com outros jogos, consegue surpreender a todos os minutos. É possível dividir o jogo em três fases: a primeira em que o jogo é passado num ambiente paradisíaco, debaixo de um sol escaldante ou de uma noite cerrada, onde a guerra com os coreanos é ementa principal; a segunda fase leva-nos até ao interior de uma nave alienígena, com um ambiente escuro, aterrador, que provoca muitos sustos e no qual temos gravidade-zero; na terceira e última fase voltamos ao exterior da dita ilha, mas ao invés do sol escaldante, temos um frio de rachar, com gelo por tudo quanto é sítio.Já que falo nos cenários, nada melhor que descrever os aspectos do enorme mapa que se vê em Crysis. Se nos concentrarmos na ilha, é possível referir que esta é nos vai levar até à beira-mar, onde a paisagem é lindíssima, ou até à selva. Devido à sua grandeza, ela permite, além da resolução directa dos objectivos, uma exploração de toda a área. Quer isto dizer que, quando temos um objectivo a cumprir, e a indicação do local aonde é necessário nos dirigirmos aparece no mapa, existem duas opções: ou vamos directos a essa localização, ou podemos explorar grande parte da ilha antes de chegarmos ao spot. Esta característica é bastante positiva, e que já vimos em Far Cry, que dá a sensação de liberdade a quem está a jogar, e não aquela sensação de chegar ao jogo, cumprir objectivos e está feito. Agora, alguns de vós podem estar a perguntar sobre o que é que se vai explorar. E a resposta é que existem cabanas que vão ajudar o jogador, pois além de poderem estar abandonadas, ainda estão recheadas de armas. As cabanas são um exemplo, pois pode haver veículos que farão falta e que nos ajudarão a passar para o nível seguinte.Focando-me agora nos objectivos, desde o início que se constata que se vai ter uma panóplia deles para cumprir. Estes podem passar por ir até determinada base coreana e fazer uma ligação ao radar deles para saber onde se localizam as suas forças; desactivar tanques antiaéreos; salvar pessoas; destruir unidades específicas; dirigirmo-nos para determinada posição, entre muitos outros. Quando se está na iminência de atingir o objectivo, há parâmetros a ter em conta: a que tipo de ataque se vai proceder? É exequível e fulcral usar as funções do fato para decidir. Desta feita, é possível entrar a matar e escolher a opção “escudo” para aumentar a nossa resistência às balas; pode-se utilizar a opção de “velocidade”, para uma entrada e saída rápida do campo do adversário; usar a opção “força” para, por exemplo, levantar objectos maiores e abalroar os coreanos; ou, por final, usar o modo “invisível” para nem se quer nos expormos, é entrar e sair sem se ser detectado. Estas metas podem ser atingidas com, ou sem a ajuda da nossa equipa. Grande parte do tempo de jogo estamos sozinhos, mas outra parte acompanhados, mas se pensam que, quando estamos com companheiros, não temos nada para fazer porque eles fazem tudo por nós, então esqueçam! A inteligência artificial realmente ajuda, mas não ao ponto de conseguir destruir os inimigos.Desviando-me para o tema da inteligência artificial, esta é muito completa. Os nossos camaradas, quando estão em situações de perigo, têm o cuidado de esconder-se e ir atacando consoante as oportunidades oferecidas pelo adversário.Quanto aos adversários, no geral estão muito bem. Quando não se encontram em situações de tensão estão em grupos, a conversar, e raramente andam sozinhos. Quando o ambiente começa a aquecer, têm por hábito reunir-se e atacar como uma equipa. Por vezes tentam-se esconder atrás de objectos, mas na grande maioria das vezes nem se preocupam em levar um tiro, e isto acaba por ser um aspecto menos bom.Mas os coreanos estão cheios de qualidade, e possuem uma grande audição. Basta um passo em falso, no sentido literal da frase, e ficam imediatamente alerta. Quando o jogador está invisível e aparece à frente deles, não há grande reacção, mas se se estiver a andar para a frente e para trás eles ouvem barulhos e começam logo a disparar.Quanto à capacidade de miragem, são soberbos! Mesmo ao longe conseguem acertar em cheio no nosso personagem. E isso é perceptível principalmente a nível dos snipers, que ao longe fazem tiros certeiros.Passando aos veículos, não há muita variedade, mas também o que se poderia querer num first person shooter? Podemos conduzir jipes equipados com metralhadora, que nos dá a possibilidade de conduzir e disparar ao mesmo tempo; é possível conduzir jipes sem arma; barcos; tanques equipados com grandes canhões; e no final, no grande final, vamos poder testar uma enorme nave.A meu ver, a condução dos mesmos não é perfeita, e pondo de parte a nave, creio que qualquer um dos outros oferece uma boa experiência. Quanto à dita nave, o seu controlo não é fácil, pois falta-lhe um pouco de dinâmica e maneabilidade. Embora haja este ou aquele problema no controlo dos mesmos, no geral a nota é positiva. Entre as armas presentes, está a habitual pistola, shotgun, rifle, metralhadora e mais uma ou outra tecnologicamente mais avançada, que só estarão disponíveis perto do grande final. Nem em todas podem ser acoplados acessórios, mas na maior parte isso é possível. Como já referi, esses acessórios passam por silenciadores, diversos tipos de mira – umas com maior zoom, outras com menos -, tipos de bala – bala normal ou incendiária -, mira laser, lançador de granadas, entre muitos outros. É certo que no início não vão estar todos disponíveis, pois só ao longo do jogo é que vão sendo coleccionados novos. Ainda sobre as armas, algo a destacar é a sensação de poder que se sente quando disparamos. Ao pegar na arma, dependendo do seu porte, sentimos um peso no andar do personagem, que é mais lento, e nos movimentos. Se há uma arma que não se gasta e que podemos usar desde o início do jogo até ao fim são as mãos. Estas servem, obviamente, para dar murros, seja nos inimigos, seja em objectos, ou até mesmo pegar os coreanos pela goela e sufocá-los. Por falar nisto, pode-se retirar uma maior vantagem se se utilizar a função “força” do fato. Pegar em objectos mais pesados, virar jipes ao contrário, ou pegar, à mesma, os coreanos pelo pescoço e atirá-los para longe, são algumas das possibilidades. Podem, também, optar por pegar em objectos mais pesados e atirar para cima dos coreanos. Quantos mais estiverem juntos, melhor! Mas estas acções requerem cuidados, pois, por vezes, eles parecem ter caído no chão mortos, mas mal viramos costas eles levantam-se e tentam atingir-nos.O hud do jogador, ou seja, os elementos que o jogador pode ver no ecrã, passam por um mapa que nos indica, quase sempre, a direcção a seguir; um sinalizador de nível de alerta do inimigo, sendo que quando está cheio é mau sinal, e quando está vazio, podem ficar descansados; aceder ao nível da nossa saúde, que se repõe sempre que somos atingidos; ver o nível da função do fato que estamos a utilizar; ver o número de balas e recargas que nos faltam para acabar; e, finalmente, ver qual a característica do Nano Suite que se está a aproveitar.Antes de passar à análise dos gráficos, vou fazer uma breve crítica ao motor físico de Crysis. Como acompanharam ao longo dos últimos meses aqui na nossa revista, as notícias que a Crytek, produtora do jogo, enviava para a comunicação social, davam conta de uma física de jogo extremamente fidedigna. E se querem mesmo saber, é mesmo verdade! É possível interagir com qualquer objecto do cenário, sejam pratos, copos, máquinas de lavar roupa, caixotes de madeira, inimigos, veículos, árvores, plantas, tudo! Se quiserem, até é possível reviver o célebre momento protagonizado por um personagem do filme Predador, em que, numa floresta densa, ele dispara com uma metralhadora para as árvores, e a destruição é total, tendo aberto um caminho autêntico.É realmente fantástico! Mas há mais! Ao se passar entre as folhas, é possível vê-las a mexer, mas o mais bonito é que se se passar com demasiada velocidade – com a função “velocidade” do fato ligada – entre rochas e árvores, estas tiram-nos vida, devido ao choque.O tão esperado capítulo gráfico está aqui, e também não desiludiu! Muito se falou sobre os requisitos que o jogo precisa para correr, e a realidade é que se querem ter tudo perfeitinho, vão ter de adquirir o último grito em tecnologia de ponta, pois é provável que a vossa máquina, mesmo tenha apenas entre 8 meses a 1 ano, não consiga correr o jogo na máxima performance, e aqui, dependendo do ponto de vista, poderá estar um ponto negativo. Mas profundamente falando, Crysis está um espanto, mesmo em baixas resoluções e com opções no mínimo. A Crytek é especialista em recriar florestas e em Crysis o paraíso é real. Tudo está detalhado até ao ínfimo pormenor, desde a areia até aos personagens. O efeito especial colocado no nosso fato está brilhante, pois parece uma luz que circula pelo nosso corpo quando activada a função “força”, “velocidade” e “invisibilidade”. As caras de todos os homens, e até mulheres, que se vêem no jogo estão perfeitas, ou lá muito perto, e as expressões faciais também. As explosões são do melhor que já vi em jogos do género, com o chão a tremer quando acontece, estilhaços a voar por tudo quanto é lado e os fogos, que estão num elevado nível de qualidade.Os efeitos de luz e sombra, e texturas em que se englobam as tecnologias high dynamic range lighting, per-pixel shading, também merecem uma vénia, pois deixa o jogo polido e 5 estrelas.Como já referi mais lá para cima, existe um ciclo de dia/noite, bem como efeitos climatéricos como chuva, sol, neve, vento, e o engraçado é que estes se fazem mesmo sentir, principalmente o vento, que parece que nos faz andar mais devagar.Em jeito de conclusão, o motor gráfico CryEngine 2 está digno de um Óscar!Na sonorização não há grandes, ou mesmo nenhumas, falhas. As vozes de cada personagem estão credíveis e quase não há clichés, ou seja, falas repetidas. Não se admirem de ver, muitas vezes, os coreanos a falar entre si, como que a ter uma conversa normal.O som do ambiente que nos envolve, seja o som de balas, explosões, jipes, helicópteros ou outros, estão muito bem caracterizados.A música de fundo também faz parte de toda a acção, e aparece dependendo do ritmo a que o jogo se desenrola.E a acção continua… no modo multijogador! Podemos jogar em apenas 4 mapas no modo a solo, que consiste no habitual tipo de jogo – Deatchmatch – mas com um bocado de tempo e imaginação sempre é possível utilizar o editor de mapas que a Crytek fornece.Se querem algo mais a sério, baseado em equipas e em objectivos, então o modo Struggle fará com que se agarrem muitas horas online. Este permite até 32 gamers num servidor em que o objectivo será o controlo total de um dos 5 mapas disponíveis. Este controlo é necessário em pontos específicos do mapa. A machadada final dá-se quando temos acessibilidade a uma super arma, depois de controlados todos os spots, e disparamos contra a base inimiga, dizimando todos os nossos adversários.Há uma coisa que ainda não referi que é relativa aos bugs encontrados. Não sei se é da versão que a Gamerstek recebeu, ou não, mas que existem, existem! Em determinadas situações existem glitches no cenário que nos permitem olhar para lá do que está programado, ou seja, olhar para nada. Isto acontece muitas vezes quando nos encostamos a algo denso que não nos permite passar para o outro lado, como por exemplo paredes e montes. Também me aconteceu algo estranho, que foi “cair” do cenário para algo que não existia, como se me tivesse fugido o chão dos pés. São acontecimentos estranhos que, apesar de não afectarem a jogabilidade, tiram pontos na classificação final.Também dei conta de alguns bloqueios no ecrã de loading do mapa e quando queria ir para o menu principal.Depois de ter jogado um total de 18/19 horas de Crysis, e de ter gasto cerca de 8 horas a fazer esta análise, tenho a dizer que Crysis é um first person shooter de sonho, sólido e real, que tem tudo o que um jogador poderia querer. Com tanta tecnologia incluída, com tantos elementos de jogabilidade e de interacção, é certo que Crysis veio mesmo revolucionar o género, e agora é esperar que apareçam jogos tão trabalhados como este. Vou confidenciar algo, mas não devia! A Crytek já se encontra a trabalhar num novo projecto. Não se sabe ao certo o que engloba, mas vamos esperar para ver. O que já é do conhecimento do público é que Crysis foi criado tendo em vista ser uma trilogia.





0 comentários